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No dia 7 de maio, o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Mutinga recebeu especialistas para discutir o combate ao abuso sexual infantil. A ação foi promovida pela Secretaria de Saúde de Barueri em parceria com a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Sads).  

Durante o encontro, a pediatra Monica Aurélia Bomfim, que atua há mais de 25 anos na prevenção e no enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes, abordou os impactos das relações familiares na proteção da infância. Segundo ela, a forma como os adultos enxergam e tratam as crianças influencia diretamente na capacidade delas de identificar e denunciar situações de violência.  

Violência intrafamiliar preocupa especialistas  

Durante a conversa, a especialista destacou a importância de combater todas as formas de violência intrafamiliar — física, psicológica, sexual ou por negligência. De acordo com a publicação Cenário da Infância e Adolescência no Brasil, da Fundação Abrinq, com dados de 2023, dos 87,5 mil casos de violência registrados contra crianças e adolescentes, 63% foram praticados por familiares.  

“A criança muitas vezes não é enxergada como sujeito de direitos. Em relações menos hierarquizadas, ela é mais respeitada”, enfatizou Monica. “A criança só consegue revelar a violência sofrida se se sentir segura e acolhida dentro do convívio familiar. Quando cresce em um ambiente de agressões, desconfiança e medo, tende a ter mais dificuldade para falar sobre o que sofreu.”  

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O direito de dizer não  

Outro ponto abordado foi o conceito de “desobediência inteligente”. A pediatra explicou que ensinar crianças a obedecer cegamente aos adultos pode representar um risco em situações de abuso.  

Como exemplo, citou cães-guia treinados para desobedecer a comandos quando percebem perigo iminente. Segundo ela, as crianças também precisam aprender que têm o direito de expressar desconforto e estabelecer limites. “Não podemos falar de prevenção ao abuso sem permitir que as crianças estranhem situações, recusem abraços ou beijos e digam não quando não se sentirem confortáveis. O corpo da criança é privado, e isso precisa ser respeitado”, afirmou.  

Educação sexual protege  

A médica também ressaltou a importância da educação sexual na infância como ferramenta de proteção. Ela explicou que o objetivo não é ensinar sobre relações sexuais, mas ajudar a criança a compreender o próprio corpo, reconhecer situações inadequadas e fortalecer a prevenção da violência.  

“Ainda existe muita resistência das famílias em relação ao tema porque muitas pessoas não compreendem o verdadeiro objetivo da educação sexual. Quando trabalhamos essa consciência desde cedo, fortalecemos a proteção da criança e contribuímos também para a prevenção da gravidez na adolescência”, completou.  

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Da Redação

Crédito da foto: Tatiane Zechetto/Secom