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A Prefeitura de Barueri, por meio da Secretaria da Mulher, celebrou na última quarta-feira (14 de outubro) o Dia Internacional da Menina, reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 11 de outubro. Com o tema “Meninas Protagonistas: Voz e Futuro”, o encontro foi marcado por arte, diversão, emoção e protagonismo juvenil, reunindo diversas instituições parceiras. Na programação foram abordadas as desigualdades de gênero presentes desde a infância. 

Foi enfatizado que meninos e meninas nascem com as mesmas capacidades, mas o que muda são as oportunidades. É por isso, que a mudança precisa envolver todo mundo: meninos, meninas, famílias, escolas e poder público. 

Antes da abertura oficial, as professoras Fernanda Ribeiro e Cinthia Vilela conduziram uma atividade com os participantes, promovendo descontração, integração e novas conexões. Na abertura, a Secretaria da Mulher reforçou a importância de se romper barreiras para que as meninas superem a discriminação de gênero e ocupem posições de liderança.  

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A data integra a Semana Municipal das Meninas, instituída pela Lei nº 3.069, de 17 de fevereiro de 2024, que incentiva a realização de eventos e ações socioeducativas e preventivas voltadas à promoção dos direitos de meninas e adolescentes, com o objetivo de ampliar estratégias de enfrentamento à desigualdade de gênero. 

Meninas nos holofotes 

As apresentações começaram com as integrantes do Grupo Expressão em Movimento, da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SDPD), que animaram o público com a dança “Bailando, Vivendo e Sorrindo”, ao som de uma música de Luan Santana. O grupo se apresentou sob a orientação da professora Ericka Lemes. 

Na sequência, as estudantes da EMEF Dorival Farias deram continuidade à programação. Isabela Sugahara emocionou o público ao tocar “Lago dos Cisnes” na flauta, enquanto Eloá Alves realizou uma apresentação no violino. 

Lugar de mulher é onde ela quiser 

As alunas Gabrielle e Emanuelle Alves, também da EMEF Dorival Farias, apresentaram o trabalho “Lugar de Mulher é Onde Ela Quiser”, destacando a importância da igualdade de gênero e defendendo o direito de as mulheres exercerem diferentes papéis na sociedade com autonomia e liberdade de escolha. 

As jovens também ressaltaram as contribuições de mulheres de diferentes gerações e sua importância para a sociedade, citando Marie Curie, pioneira nas pesquisas sobre radioatividade, e Marielle Franco, política brasileira com atuação no Rio de Janeiro. 

Ser menina no Brasil e no mundo 

Após as apresentações, a antropóloga Ana Neri, da Plan International Brasil, conduziu uma palestra de reflexão sobre o tema “Panorama sobre a condição de ser menina no Brasil e no mundo”, abordando, entre outros assuntos, a prevenção da gravidez na adolescência. 

“Gravidez não pode ser apenas um destino de uma vida. Tem outros sonhos que podemos sonhar antes de querer engravidar”, afirmou. 

Ana também ressaltou a importância de oferecer espaços para o desenvolvimento das meninas. “Todo mundo tem empoderamento individual e coletivo, essas habilidades de interação e liderança precisam de um local para se aprimorar”, destacou. 

Protagonismo feminino 

As alunas Sam e Brenda, de 17 anos, da Associação para Proteção de Crianças e Adolescentes (Cepac), declamaram o poema “Ser Mulher”, do poeta cearense Bráulio Bessa, que destaca a força, a liberdade e o respeito às mulheres. 

A programação cultural também contou com a participação de alunas do Profesp Elite Aprendiz. Isabella Marques da Silva leu a poesia “Tenho boca, mas não posso gritar”, enquanto Mariana Nuccini Santos apresentou “A voz que ninguém cala”, ambas de autoria das próprias jovens. 

Na sequência, foi realizado um debate sobre os desafios de ser menina na sociedade atual, os sonhos e as oportunidades para o futuro e a liberdade feminina. Participaram Maria Luiza dos Santos Prado, Aline Zaira e Julia Santos Oliveira, do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE); Stefany Magyar Leite da Silva e Flávia de Lima, da EMEF Dorival Farias; e Sam Moura, do Cepac. 

Durante a conversa, as participantes discutiram a cumplicidade entre mulheres, os sacrifícios feitos por gerações anteriores para ampliar as oportunidades das jovens e suas expectativas para um mundo em que as mulheres possam ocupar os espaços que desejarem. O bate-papo também teve um momento musical, quando Flávia, que é cantora, interpretou um trecho de “De Janeiro a Janeiro”, canção de Roberta Campos. 

Árvore dos Desejos 

Ao final do encontro, os participantes foram convidados a participar da dinâmica “Árvore dos Desejos”, na qual escreveram, em folhas de papel no formato de folhas de árvore, desejos para o futuro das meninas e das jovens. 

Um convite à reflexão 

Durante a cerimônia, foram apresentados dados sobre a realidade das meninas em Barueri. A partir de uma solicitação da Coordenadoria Rede Mulher, diferentes secretarias municipais contribuíram com informações sobre a participação das meninas na comunidade e os desafios enfrentados por elas. 

A Secretaria de Esportes informou que 4.334 meninas participam de diferentes modalidades esportivas em Barueri, sendo mais de dois terços concentradas no voleibol e na ginástica artística. Em modalidades historicamente associadas ao universo masculino, como futebol, basquete e skate, a participação feminina é significativamente menor. 

Na educação, 30.821 meninas estão matriculadas na Rede Municipal de Ensino. Desse total, 509 frequentam os Núcleos WIT (Work Innovative Technologies, ou Tecnologias Inovadoras Profissionais) e 2.224 participam de atividades nas salas Maker, ampliando o acesso a espaços de ciência, tecnologia e inovação. 

As escolas municipais também desenvolvem ações relacionadas à dignidade menstrual, com o objetivo de evitar que questões relacionadas à menstruação se tornem obstáculos à frequência e à participação das estudantes nas atividades escolares. 

Na área da assistência social, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social de Barueri (Creas) acompanha 155 casos ativos de meninas e adolescentes vítimas de abuso ou exploração sexual. Desse total, 81 envolvem adolescentes de 13 a 17 anos. 

No cenário mundial, cerca de 273 milhões de crianças e jovens estão fora da escola, o equivalente a aproximadamente uma em cada seis pessoas nessa faixa etária. Em diversas regiões, as meninas estão entre as primeiras a deixar os estudos, e a gravidez precoce é um dos fatores que contribuem para esse cenário. 

Todos os anos, mais de 21 milhões de adolescentes engravidam em países de baixa e média renda. A gravidez está entre as principais causas de morte de meninas de 15 a 19 anos. No Brasil, foram registrados 127 mil nascimentos de mães com idades entre 10 e 14 anos no período de 2011 a 2021. 

Da redação 

Crédito das fotos: Ana Guice/Secom Barueri